Que pais deram uma educação perfeita aos seus filhos?
Que crianças viveram uma infância impecável, sem qualquer experiência dolorosa? Quem nunca foi rejeitado? Quem nunca sofreu uma perda?

Sejamos sinceros: todos nós responderíamos “sim” a estas perguntas. Todos carregamos motivos para nos sentirmos tristes, inseguros ou ressentidos em algum momento da vida. Viver causa dor e deixa marcas. E, diante destas dores, o que mais vemos são pessoas a culpar outras ou a oferecer soluções mirabolantes e fórmulas mágicas para “consertar” tudo.

Mas a verdade é bem menos glamorosa: viver envolve dor porque o mundo em que estamos já não funciona de maneira perfeita.
Foi criado para ser perfeito. E um dia foi.

Hoje, porém, é um mundo caído, desgastado por tanta corrupção e quebrado por tantos erros humanos. Reconhecer esta realidade e aceitar que todas as pessoas à nossa volta irão falhar connosco já é um grande passo rumo à restauração interior. É libertador pensar que a vida aqui nunca será perfeita, nunca será totalmente indolor e ninguém passará ileso enquanto viver neste mundo.

Mas a vida pode ser verdadeira e feliz na Presença de Deus e, mesmo atravessada por dores, pode ser extraordinariamente profunda e significativa. Porque, afinal, não é a ausência de sofrimento que nos torna inteiros, mas a capacidade de seguir, de amar e de servir mesmo com as nossas cicatrizes.
E é assim que a vida encontra um brilho sem igual: ver o contraste entre o que nos feriu e o que nos transformou.

Espero que você esteja curada(o) das suas feridas e que saiba usar bem as suas cicatrizes.

Núbia Siqueira

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