A rejeição é uma dor comum. Ser rejeitado não é fácil. E mente quem diz que não sentiu nada quando foi rejeitado por alguém.
As pessoas imaginam o futuro, idealizam cenários e sonham que tudo acontecerá exatamente como projetaram. Mas, na jornada da vida, muitas coisas inesperadas surgem e a rejeição é uma delas.
É impossível atravessar a existência sem receber um “não”, sem enfrentar um desencontro, seja numa amizade, num relacionamento amoroso ou até dentro da própria família. E a rejeição dói. Dói de uma forma tão peculiar que, se a pessoa não vigiar, rouba até o sentido de valor próprio.
A mente começa a sussurrar: “Não sou bom o suficiente”; “Não posso ter o que todos têm”; “Não sou estimado”… Mas ninguém se deve deixar destruir por causa da dor. Muito menos medir o próprio valor pelas escolhas dos outros.
A dor passa. O que dói muito hoje, amanhã não dói mais. Aprender a separar quem somos da atitude dos outros é fundamental para superar a rejeição. Quando filtramos o que sentimos, a interpretação dos factos muda. Passamos a distinguir o que é dor, o que é orgulho ferido, o que é preocupação com a opinião alheia e o que é deceção. O coração cria narrativas, exagera cenários e repete palavras que feriram. Ele dramatiza, amplifica e confunde. Mas, quando fazemos uma limpeza interior, os sentimentos periféricos dissipam-se e fica apenas a dor real, aquela que precisa ser tratada com verdade, paciência e maturidade. Isso aprende-se. A fé ensina a mente e o coração a reagirem de forma mais saudável, pois, o sofrimento treina-nos para a vida. Quando enfrentado com Deus, este não destrói, mas, amadurece. A vida ressurge e a alegria volta. E existe melhor resposta para o mal que recebemos do que dar a volta por cima?
Núbia Siqueira
Fonte: Folha de Portugal
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