Numa época de hiperconectividade, a solidão tem matado em silêncio. Que contrassenso: na era das maiores conexões, há quem converse com as paredes por não ter um único relacionamento verdadeiro.
A nossa geração está cercada de contactos, mas vazia de vínculos reais. Por isso, muitos conectam-se muito virtualmente…, mas ainda se sentem sozinhos.
Nunca vi tanta solidão. Nunca vi tanta gente junta, ocupada, distraída…, mas sozinha, triste, vazia.
A solidão de hoje é perigosa porque é mascarada. Ela veste-se de viagens, passeios, publicações, beleza, exercícios, produtividade. Ela sorri nas fotos, usa maquilhagens, acessórios e look perfeito.
O solitário moderno conversa com muitos, mas não tem um amigo para desabafar. Ele ajuda tantas pessoas, mas desaba no quarto e chora em silêncio.
Então, a solidão de antigamente era falta de gente, mas hoje é falta de presença, de amizade verdadeira, de interesse real. E quantos não vivem rodeados, mas não acompanhados. Conectados, mas ignorados. Expostos ao extremo, mas não amados.
É por isso que a solidão dos nossos dias é tão cruel: ela parece ser cheia de vida, mas é só vazio.

Núbia Siqueira

Fonte: Eu era assim

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