Os traumas da infância conduziram Jacira ao ódio e aos pensamentos suicidas

A vida de Jacira poderia ser vista como normal, com pais presentes, amigos na escola e não lhe faltando nada. “Aparentemente, tinha tudo para ser uma criança e, futuramente, um adulto com sonhos e objetivos, mas longe disso… Pois, entre os 6 e os 12 anos, fui alvo de abusos sexuais. Não contei a ninguém, nem nunca pedi ajuda e passei a odiar os homens, inclusive o meu pai. Aí vieram as acusações, depois um ódio descontrolado do mundo inteiro e de Deus, porque achava que Ele não me tinha protegido de quem tanto mal me fez”.

DESPEDIDA

Na adolescência tudo piorou ainda mais, tendo Jacira fugido de casa e apresentando maus resultado na escola. “Durante esse período, escrevi uma carta a despedir-me da minha família e fiz uma lista das maneiras mais rápidas de morrer. Tentei, por duas vezes, atirar-me da janela do meu quarto, mas sempre aconteceu algo que me impediu de o fazer. Dentro da minha cabeça só escutava vozes que me diziam que eu não era nada e que ninguém me via. Mesmo participando em concursos de beleza e sendo popular na escola, sempre me achei feia”.

PERDÃO

Um dia, Jacira conheceu a FJU através dos casos de superação de jovens que passaram pelo mesmo que ela e que já não odiavam os seus agressores, mas que contribuíam com a sua inteligência e testemunho para ajudar outros. “Foi aí que vi uma saída para o ódio que existia dentro de mim. Criei amizades, consegui superar todos os maus sentimentos, perdoei os meus agressores e, acima de tudo, perdoei-me a mim mesma. Descobri que o ódio que tinha pelos outros justificava-o como vítima, mas, a partir do momento, em que me vi como uma jovem que tinha a opção de escolha, que sabia distinguir o passado que não pude controlar de um futuro que agora posso traçar, a influência do mal acabou. Hoje, sou uma jovem adulta, amo o meu pai, projeto casar e ajudo outros a manterem o seu foco numa vida completa com Deus”.

Jacira Lopes

Fonte: Eu era assim

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