A boca abre mais vezes do que deseja, mal consegue manter os olhos abertos e o corpo todo grita por uns momentos apenas de repouso…

É desta forma que acordam milhões, todos os dias. Extremamente exaustos depois de uma noite de suposto descanso. A pessoa não compreende e chega a sentir-se mal, pois não encontra uma explicação concreta para o seu estado, que muitos poderão até confundir com preguiça. Questionados sobre o que se passa, apenas conseguem responder de forma vaga: “Sinto-me cansado…”, como se a frase por si explicasse tudo o que sentem.

PROBLEMA COMUM?

É certo que sim, pois, como seres humanos, todos estamos sujeitos a sentir cansaço em alguma altura da vida. Porém, falamos de um cansaço que vai além do físico e que atinge a alma e o espírito, transformando-se numa sobrecarga que vamos transportando diariamente. Responsabilidades, expetativas, frustrações… para além de sentir a necessidade de ser forte o tempo todo, esperar mudanças que não acontecem e, sim, até de fazer o bem sem ver o retorno. Podemos, então, deduzir, que este cansaço advém do desgaste que cresce, especialmente, em situações familiares e pessoais, como as dificuldades no casamento, problemas com os filhos e pelas exigências cada vez maiores impostas pela sociedade.

ILUSÃO DO CONTROLO

Um dos motivos que está na raiz deste cansaço é o desejo de tentar controlar o desfecho de tudo na vida e de fazer prevalecer a própria vontade. A questão é que a nossa existência é feita de situações imprevisíveis e muitas vezes dolorosas (traições, perdas, doenças, frustrações…), às quais o ser humano tenta reagir, resolver, insistir, controlar. Todavia, esta resistência só faz aumentar o peso do cansaço sentido. A questão que tem intrigado a muitos é se existirá sequer a possibilidade, na conjuntura social em que vivemos, alterar esta rotina de exaustão diária, sem que aceitemos o cansaço constante como algo normal.

Fonte: Folha de Portugal

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