Nada é mais assustador do que ter um filho em perigo, mas a situação torna-se ainda mais revoltante quando o perigo é criado pelo próprio seio familiar…

Uma foi asfixiada pela madrasta, a outra, o próprio pai saltou com ela ao colo do 8º andar onde viviam. Lara e Kiara, de 8 e 4 anos, respetivamente, não se conheciam, mas foram ambas protagonistas de duas tristes histórias, num curto espaço de tempo. Histórias em que as incompatibilidades entre adultos revelou a faceta mais macabra do ser humano: a capacidade de atentar contra a vida de inocentes da forma mais cruel que existe. Em ambos os casos uma espécie de vingança esteve na base da motivação, no entanto, estes dois são apenas o reflexo recente de uma realidade que tem vindo a ganhar contornos grotescos nos últimos anos: a violência extrema contra crianças pelos próprios familiares.

6 MESES

Foram quatro as crianças que morreram nos primeiros seis meses no país, vítimas de violência doméstica. Números que não se verificavam desde 2019, segundo dados fornecidos pelo Diário de Notícias. A situação do perigo que se apresenta para as crianças e jovens é real e mais difícil de prevenir, já que se tem vindo a verificar cada vez mais em contexto doméstico. Este aumento percentual de crianças e jovens sinalizados às CPCJ’s (Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens) justifica uma intervenção cada vez maior das instituições governamentais.

LUGAR DE PROTEÇÃO

Pais e cuidadores sempre foram e continuam a ser os principais modelos das atitudes e comportamentos das crianças. Por isso, é muito importante que o seu desenvolvimento ocorra num contexto em que os adultos revelem comportamentos emocionalmente adequados e equilibrados. Respeito, segurança e proteção são as palavras-chave pelo qual o ambiente familiar se deve reger. A violência é composta por padrões de interação que a criança ou jovem podem aprender e até replicar no futuro. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”, diz a Bíblia em Provérbios 22.6, revelando que o investimento ativo e os bons exemplos durante infância criam raízes sólidas que acompanham o ser humano ao longo de toda a sua vida, mas também, que o oposto também pode acontecer.

Fonte: Folha de Portugal

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