EVG Night e Projeto Raabe recuperam prostitutas

É durante a noite que milhares de mulheres, na nossa sociedade, saem para as ruas vendendo o corpo, apenas para ganhar algum dinheiro…

É quando as famílias retornam ao recanto do seu lar, após um dia de trabalho, que muitas mulheres, quem sabe até mães de família, abandonam os mesmos com a finalidade de usarem o seu corpo como moeda de troca.

A prática da prostituição é ancestral, mas nem por isso perdeu o estigma associado à mesma, que abarca características como a vergonha, a humilhação, a marginalização, a dor e a sensação de se ter atingido o patamar mais baixo da degradação humana.

Noite de missão social

É contra este flagelo social que projetos como o EVG Night e o Raabe trabalham, realizando movimentos de reabilitação e auto-preservação das mulheres, não só as vítimas de violência doméstica, como todas aquelas que necessitam de ajuda para recuperar a dignidade perdida.

Foi na noite de Lisboa, mais precisamente na zona do Império, na Alameda, que teve lugar o trabalho que contou com a colaboração do EVG Night e do Projeto Raabe. A missão seria abordar as mulheres que trabalham na prostituição, dando-lhes uma palavra de apoio e de consolo, ao mesmo tempo que seria feito um convite, para que as mesmas se conscientizassem de que existe uma saída para a sua situação de vida.

Casos reais

No decorrer da noite, foram inúmeras as trágicas histórias de vida com que os voluntários se depararam, como a de uma mulher que entrou para o mundo da prostituição para sustentar os seus dois filhos, pois não tinha onde dormir ou o que comer. Contudo, a mensagem das voluntárias, tocou de tal forma o seu coração, que ela viu naquele convite a oportunidade tão desejada para mudar de vida.

O depoimento de uma segunda senhora revelou que foi um grave problema de autoestima e o facto de ter uma filha menor para sustentar que a atirou para a prostituição. Devido à vida que leva, ela até prefere deixar a filha com familiares, admitindo não saber mais o que fazer para se sustentar, para além de se prostituir. O convite para a reunião das mulheres foi bem recebido, tendo-o aceitado com muito carinho. O que esta mulher mais deseja é um emprego digno, para que tanto ela como a filha possam viver uma vida transformada.

Uma terceira senhora abordada pelas voluntárias afirmou ter dois filhos dos quais tinha perdido a guarda, precisamente, por não lhes poder assegurar o sustento. Mesmo almejando a transformação de vida, ela sente não ter forças para superar as inúmeras barreiras com que se depara. Todavia, também ela aceitou o convite para participar na reunião das mulheres, que terá lugar no sábado.

Após uma breve conversa, todas as senhoras foram presenteadas com o livro “Morri para viver”, da autoria de Andressa Urach, uma mulher que reconstruiu a vida, após conhecer de perto os meandros da prostituição.

Todas elas ficaram muito felizes por saber que existe uma solução para o seu caso e que é possível sonhar com um emprego e condições de vida dignas.

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