Até que ponto você SE CONHECE?

É o ponto de partida para tudo, para todas as decisões, das mais pequenas às mais importantes, pois cada escolha determina quem, verdadeiramente, somos…

Ser ou não ser… eis a questão”, esta famosa frase, no seu original “To be or not to be … that is the question”, da autoria do famoso escritor inglês Willliam Shakespeare, vem da peça “A tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca”. Sem dúvida alguma, esta é uma das frases mais famosas da literatura mundial, mas, o que realmente signi­fica?

Ser ou não ser, é sobre agir, tomar decisões, posicionar-se (ou não), diante dos acontecimentos. É conhecer quem somos e o que queremos ser. Fazemos escolhas todos os dias, o que comer, o que vestir, o que comprar, no que acreditar, em quem votar. Da mesma forma decidimos ser fortes, corajosos, amáveis, pacientes, úteis, etc.

Cada escolha tem consequências, umas boas outras más.

INFLUÊNCIAS EXTERIORES

Outras vezes sou e não sou ao mesmo tempo. As minhas atitudes, comportamentos, discurso, dependem da situação e dos interlocutores. Numa entrevista de emprego ou junto de superiores hierárquicos, uso linguagem mais formal, vestuário discreto. Ao invés, em situações de lazer, posso ser in uenciada por escolhas não habituais: fumar porque estou num ambiente onde todos o fazem, ser generosa porque as pessoas que me rodeiam o são. O ser humano é resultado da natureza e da cultura, o ambiente e in uência a que está sujeito tornam-no camaleónico.

VIAGEM AO “EU”

No entanto, para “Ser ou não Ser…”, primeiro temos de conhecermo- nos a nós próprios profundamente, e isso não é fácil. Não foi em vão que o  lósofo grego Sócrates defendeu a máxima “Conhece-te a ti mesmo”, como forma de alcançar o verdadeiro conhecimento. Necessitamos de coragem para enfrentar o nosso eu mais profundo, o subconsciente, onde vamos encontrar sentimentos, anseios, medos, traumas, desilusões, desejos que estavam tão profundamente escondidos e esquecidos, mas não ultrapassados, resolvidos.

Por vezes é doloroso, assustador, mas, ao enfrentarmos tudo isto, conhecemo-nos a nós próprios. É vital esta descoberta. A escolha é sempre nossa. Quem somos, quem escolhemos ser, e essa escolha tem de ser assegurada pela liberdade, pois, sem liberdade não há escolha!

Fonte: Folha de Portugal