A ‘LIBERDADE’ que começa atrás das grades

“Somos considerados o lixo da sociedade…”, revela Paulo, considerando o tempo que cumpriu pena e as experiências que teve na prisão, todas elas humilhantes

Atualmente ex-recluso, Paulo assume que a sua detenção no passado foi o resultado das escolhas erradas que fez e acabou por pagar por isso. “Enveredei pelo caminho do tráfico e fui detido, por esse crime, quando estava no aeroporto, prestes a seguir para a Suíça.”
Tendo sido condenado quase a 5 anos de pena, mais precisamente a 4 anos, 10 meses e 4 dias, inicialmente ficou detido, preventivamente, no cárcere da Polícia Judiciária, enquanto decorria a investigação. “Depois de condenado, fui transferido para o Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL)”.

VIDA NA PRISÃO

“O que as pessoas têm conhecimento sobre a vida na prisão é o que a comunicação social passa, mas, na realidade, não é bem assim. Não existe qualquer tipo de apoio e muito menos reinserção ou assistência social. Automaticamente, quando um recluso entra numa cadeia, os seus direitos humanos são-lhe negados! Aos olhos, mesmo dos funcionários dos estabelecimentos, somos considerados praticamente o lixo da sociedade. Sofri muitas humilhações, mas, a pior delas foi ter sido agredido por um guarda, sem justificação e ainda fui retirado das minhas funções. Fiz 27 dias de greve de fome… mas, eles sabem que podem fazer o que querem, pois estão protegidos pelo próprio regime interno. Comida sem condições, frio e conflitos entre reclusos eram o meu dia a dia.”

‘VERDADEIRO AMIGO’

“Não tive qualquer apoio de amigos ou família, a Universal foi o meu único amigo.” Paulo foi dos primeiros reclusos abordados e acompanhados pela UNP. “O dia em que comecei a frequentar as reuniões do Pr. Francisco no interior do EPL, foi maravilhoso! Os livros que me deram ajudaram-me imenso e até o rádio foi a UNP que me facultou. Lia a Bíblia, meditava, estudava… e entreguei-me a Deus! Fui batizado nas águas, mesmo no EPL. Vejo que, realmente, Deus está nesta Igreja e aconselho a todos os reclusos a manter a esperança, que acreditem que vão conseguir superar, sempre e apenas com a fé mantida em Deus!”, diz Paulo, que hoje está completamente reinserido na sociedade, com casa, trabalho e uma vida realizada.

Paulo Varandas

Ex-recluso